segunda-feira, 20 de maio de 2013

O contexto


Em 1982, o Brasil vivia uma fase de transições. No plano político, a ditadura militar começava a dar lugar à democracia. No futebol, antes subordinado a CBD (Confederação Brasileira de Desportos), finalmente era criada a CBF (Confederação Brasileira de Futebol).
Uma das primeiras medidas da nova entidade foi contratar o técnico Telê Santana, que tinha fama de disciplinador, mas sempre privilegiou os jogadores mais talentosos. Em toda a história das Copas, poucas seleções conseguiram cativar tantos torcedores e críticos como o Brasil em 1982. Bastaram três jogos para que o time de Telê fosse apontado por todos como o principal candidato ao título. Depois da difícil estreia contra a União Soviética (vitória por 2 a 1, de virada), a seleção engrenou. Com fáceis goleadas nas partidas seguintes (4 a 1 na Escócia, e 4 a 0 na Nova Zelândia) e um futebol deslumbrante, os brasileiros ganharam confiança e prestígio. Zico, Sócrates, Falcão, Júnior, Éder e seus companheiros passaram a ser ídolos assediados pela torcida espanhola.
No primeiro jogo da segunda fase, outra vitória convincente: 3 a 1 sobre a arquirrival Argentina, então campeã mundial, eliminada com o resultado. Ao Brasil, bastaria um empate com a Itália para que a vaga na semifinal estivesse garantida. O clima de euforia no país era enorme. Todos davam como certo o tetracampeonato. Entretanto, a Itália, que fizera uma péssima primeira fase, estava em ascensão. Marcando com rigor o habilidoso time brasileiro, os italianos souberam aproveitar as falhas da defesa adversária para vencer por 3 a 2, com três gols de Paolo Rossi, o 'carrasco' do futebol-arte.
O Brasil empatou duas vezes o jogo, mas não teve forças para reagir após sofrer o terceiro gol, aos 29 minutos do segundo tempo. Até hoje, o mundo ainda busca uma explicação para a grande zebra deste Mundial. "Acredito que os jogadores brasileiros tiveram a presunção de que poderiam ganhar da Itália até com alguma facilidade, o que talvez tenha sido um erro tremendo. O time do Brasil deixou a impressão de certa inocência em alguns momentos, ao contrário de nossos jogadores, que têm experiência", comentou o técnico Enzo Bearzot na entrevista coletiva após a vitória.
Mesmo eliminada, a seleção foi recebida com festa em sua volta para casa. Milhares de pessoas recepcionaram os jogadores em São Paulo, no Rio e em Belo Horizonte. Foi o reconhecimento da torcida pelo futebol-arte. "Não esperava tanto carinho", disse um emocionado Telê.
Fonte: História das Copas | Uol 

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