segunda-feira, 20 de maio de 2013

O que fiz depois do jogo: Rosel Soares






Eu estava em Anajé [560 km de Salvador], assisti ao jogo ao lado de meu pai e assim que o juiz apitou o fim da partida, descemos, num silêncio perturbador, para o chiqueiro dos porcos. Ficamos mais de uma hora sem trocar uma única palavra, repetindo movimentos mecanicamente – limpando os cochos, servindo o farelo, observando os porcos que, também eles, comiam em silêncio, como se soubessem. Foi uma das cenas mais surreais que já experimentei em minha vida. Homens e porcos, irmanados no lamaçal da desolação. Outros tantos brasileiros que, como eu, tem mais de 40 anos, devem trazer com eles esses fantasmas perturbadores. Entendemos o Maracanazzo através da experiência espanhola no Sarriá. 


Rosel Soares
Editor da Casarão do Verbo
Foto: Gail Gill

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