quarta-feira, 12 de junho de 2013

O jogo da vida do zagueiro Oscar



Aquele jogo contra a Itália foi triste, mas não há como negar que foi o mais marcante da minha carreira. Não dá para esquecê-lo e, mesmo se eu quisesse, as pessoas não deixariam. A toda hora alguém me pede para falar daquela partida, não tem jeito. O oba-oba da torcida brasileira naquela Copa era muito grande e, para falar a verdade, aquilo acabou afetando o nosso time, sim. Era difícil evitar. E tem outra coisa: a gente viu o jogo da Itália contra a Argentina e os italianos ganharam com muita dificuldade, não jogaram bem. 

Depois daquilo, nós demos uma surra na Argentina e ficamos pensando que o jogo contra a Itália seria mais fácil. A gente esperava que a Itália jogasse nos contra-ataques, como sempre, mas não foi o que aconteceu. Eles vieram para cima e nos pegaram de surpresa. Antes do jogo, o Falcão nos contou que havia conversado com o Bruno Conti, que jogava com ele na Roma, e que o Conti havia dito que eles iriam jogar soltos, sem responsabilidade, porque achavam que não tinham muita chance de ganhar do Brasil. O Conti chegou a contar que alguns jogadores italianos já haviam até feito as malas para voltar para a Itália! 

Tudo isso fez diferença no jogo, porque nós tínhamos a obrigação de ir às semifinais e eles estavam tranquilos. A gente sempre teve confiança no nosso time, mesmo quando eles estiveram duas vezes à frente no placar, mas depois do terceiro gol da Itália caiu a ficha e a gente percebeu que poderia ficar fora da Copa. A torcida parou de cantar e ali bateu o desespero. O que mais me marcou naquele jogo foi minha cabeçada que o Zoff defendeu, no finzinho. Quando o Éder fez o cruzamento e eu vi a bola vindo na minha direção, tinha certeza de que faria o gol. Eu fiquei sem marcação e cabeceei como manda o figurino: com força e para o chão. Só que o Zoff defendeu no reflexo. Ele nem viu a bola, apenas se jogou nela e deu sorte de conseguir segurá-la. 

Foi uma cabeçada perfeita, mas o desgraçado defendeu! Eu iria me consagrar se aquela bola entrasse. Talvez se tivesse cabeceado para o alto eu teria feito o gol, mas não dá para saber. Nós ainda tentamos fazer o juiz acreditar que a bola havia entrado, mas não teve jeito. Depois do jogo, o clima era de velório entre a gente. A volta foi um horror e eu demorei dias para conseguir dormir direito. Tinha medo de ser vaiado na chegada ao Brasil, mas felizmente isso não aconteceu, a torcida nos recebeu de uma maneira maravilhosa.

Antes da partida, chegamos a discutir a possibilidade de jogarmos de um modo mais conservador, com os laterais atacando menos, mas aquele time havia ganho de todo mundo no ataque, não dava para mudar. E o Telê não gostava de jogar com o regulamento. Mas hoje, tantos anos depois, acredito que foi um erro. Nosso time deveria ter sido mais cauteloso, sim.

Fonte: Estadão

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